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Novidades

05/09/2009

Procura-se Pó

 

A mania de limpeza é culpada por um fenômeno curioso: com menos sujeira aumenta a incidência de alergias.

 

Pode parecer ironia, mas a mania de limpeza tão comum atualmente abriu espaço para o crescimento de um conhecido problema de saúde: as alergias. Nos últimos 30 anos, enquanto uma revolução sanitária alterava hábitos de higiene nos cinco continentes, a incidência de Rinite, por exemplo, chegou a duplicar. Por quê?


Sem sujeira espalhada por todos os cantos, o sistema imunológico dos seres humanos não precisa mais trabalhar o tempo todo contra a invasão de vírus e bactérias. Para não ficar “desocupado”, resolveu mostrar serviço e atacar inimigos imaginários, ou seja, substancias inócuas que não ameaçam o bom funcionamento do organismo. É o caso dos alimentos como os frutos do mar. Essa defesa exacerbada e desnecessária é chamada de alergia.


Uma outra teoria muito aceita entre especialistas aponta para a excessiva oferta e o fácil acesso a todo o tipo de substância no mercado. Para desenvolver a sensibilização alérgica, o paciente precisa entrar em contato com a substância.


Com o padrão de vida atual, as pessoas ficam mais expostas a novas alimentações, remédios e várias substâncias. Esse comportamento é um dos fatores que podem estar contribuindo para o aumento da alergia no mundo. Explica o alergista Luiz Antônio Bernd, diretor da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia.


Na prática, a teoria pode ser retratada com um exemplo que está se tornando muito comum, mas se mantém pouco conhecido de pacientes e até mesmo de médicos. A partir de 1980, houve uma explosão no uso de luvas feitas de látex, utilizadas em ambientes hospitalares ou para limpeza doméstica. Com o contato excessivo, ocorreu um crescimento significativo de reações alérgicas ao produto.


Quem usava começou a ter reações como urticária e vermelhidão na pele. Além disso, o látex adere ao talco da luva, que, quando é retirada, pode causar alergia pelas vias aéreas de alguém por perto. A reação já foi percebida até mesmo por usuários de camisinhas – relata o chefe do Setor de Imunologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Luiz Jobim.


Segundo ele, a alergia pode atrapalhar o andamento de uma simples festa infantil. Como? O estouro de um balão espalha a substância e ataca a saúde de um convidado próximo. Além de alergia ao látex, observou-se que os mesmos pacientes também reagem a algumas frutas, entre as principais o abacate, a banana e o kiwi.

 

Como saber se você é alérgico?

 

» Ninguém nasce com a doença. A alergia surge com a exposição a determinadas substâncias.
» Não se sabe ao certo o que leva ao problema. Acredita-se que seja resultado da integração de fatores genéticos com questões ambientais, como a exposição a substâncias.
» Alguns testes ajudam a desvendar se o paciente desenvolveu alguma alergia. Em alguns casos, é feito contato com pequenas porções de determinada substância, verificando se ocorre alguma reação.
» Exames de sangue podem ser utilizados na investigação, como no caso de quem tem reações ao consumir camarão ou outros alimentos.
» Para os alérgicos a remédios de uso muito comum, é sempre importante anotar essa informação em um papel e deixa-la junto a documentos. Isso pode evitar aplicações erradas em caso de acidentes e emergências.

 

FONTE: ZERO-HORA,, Daniel Cardoso, Caderno Vida, 5 de setembro de 2009, Capa e pág. 3.

 

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